Dois breves comentários sobre 56ª Bienal de Veneza

A Bienal de Veneza é uma das mais antigas, maiores e mais importantes organizações culturais do mundo. A cada dois anos, promove uma grande exposição de arte contemporânea com artistas representantes de vários países e, paralelamente, diversos eventos.

A edição deste ano – a 56ª – iniciou no sábado passado (09/05) e tem como tema “All The World’s Futures” (Todos Os Futuros Do Mundo).

Sobre ela, (a princípio :)) quero registrar dois breves comentários:

 

  1. O curador da edição deste ano é Okwui Enwezor – crítico de arte, escritor, poeta, educador (especializado e História da Arte) e, nigeriano. O primeiro curador africano da Bienal de Veneza. Simplesmente por isto, já merece nosso respeito. Aliás, a própria Bienal tem mais do meu respeito por isso. E, não coincidentemente, a edição deste ano é a que conta com a maior delegação de artistas negros.

    Além de Enwezor representar uma grande vitória para a luta contra as desigualdades de raça e sociais através de sua própria carreira, ele, de certa forma, faz disso o cerne do tema da Bienal: a exposição utiliza-se de “O Capital” de Karl Marx para discutir críticas ao trabalho e ao capitalismo.

    Ou seja, não estou lá, não conheço ele pessoalmente, não fui à Bienal de Veneza (ainda), mas já li e vi o suficiente para dizer que estou amando Okwui Enwezor e a (sua) 56ª edição! (;

  2. Cinco países conseguiram estar representados na 56ª Bienal de Veneza através de projetos colaborativos de patrocínio (aka crowdfunding). Não é a coisa mais linda? (:

    Granada, Ilhas Maurícias, Mongólia, Moçambique e República das Seicheles utilizaram-se desta estratégia com pequenas diferenças. Artistas e profissionais envolvidos movimentaram-se para estar lá e, isso representa uma grande manifestação de independência – uma declaração ao mundo de que estes lugares são mais do que remotas destinações turísitcas (como bem pontuou Julie Baumgardner no artigo escrito sobre este para a Artsy).

    Num contexto onde cada vez mais a arte e a cultura são as primeiras a sofrer com a escassez de dinheiro, ter exemplos como este – de agentes e comunidades ativas, participativas e culturalmente motivadas a ações com esta grandeza e resultado – é motivo para sorrir. 🙂

Bom, chega! Senão não farei jus ao “breve” :p

Para quem ficou interessado, algumas links interessantes:

Espero que tenham gostado.
Beijinhos,

Lis.


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